Estande Três Coroas Shoes de olho no potencial do mercado nordestino

Oito fabricantes do polo de Três Coroas/RS embarcam para João Pessoa/PB para participar da 40 Graus – Feira de Calçados e Acessórios que ocorre de 3 a 5 de fevereiro, no Centro de Convenções da cidade. São eles Aline Melo, Ana Vitória, Eléia, Infinitu’s, Mulher Sofisticada, Valentina, Vanittà e Variettá. Todos estarão no Estande Três Coroas Shoes, localizado na Rua 4, nº 115.
Conforme dados apurados pela promotora do evento, a Merkator Feiras e Eventos, em 2019 as vendas no varejo do Norte e Nordeste cresceram bem acima da média nacional. De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre janeiro e novembro de 2019 o incremento nessas regiões foi de 1,2% em volume de vendas e de 2,6% em receita gerada. No cenário nacional, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua perspectiva de crescimento do Brasil em 2020, passando para 2,2%, 0,2 ponto percentual a mais do que no relatório de outubro.
Para o executivo-comercial do Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas (SICTC), Juliano Mapelli, mesmo sendo uma feira nova e ainda pequena, é bastante promissora e atende a um mercado muito grande. “São quase 60 milhões de consumidores entre Norte e Nordeste, então, há um imenso potencial a ser atendido”, sinaliza ele. O bom número de lojistas confirmados também anima o dirigente. “Participamos do processo de seleção e sabemos que, tanto para as cortesias aéreas quanto para as hospedagens há um bom contingente de varejistas interessados em estar no evento”, aponta Mapelli. Ele lembra que, ano passado, quem participou aprovou e está retornando nesta edição.
Com em torno de 500 marcas em exposição, a direção do evento indica que são esperados 5 mil visitantes ao longo dos três dias da programação.
A 40 Graus conta com o apoio do Sindicato da Indústria de Calçados de Estância Velha, Sindicato da Indústria de Calçados de Ivoti, Sindicato da Indústria de Calçados de Igrejinha, Sindicato da Indústria de Calçados de Novo Hamburgo, Sindicato da Indústria de Calçados de Parobé, Sindicato da Indústria de Calçados de Sapiranga e Sindicato da Indústria de Calçados de Três Coroas.

“Era um peso morto que tínhamos de carregar”

Erno (3)

Por Erno Luis Feyh 

Presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Igrejinha 

“É absurdo, por exemplo, uma fábrica de Igrejinha que fosse vender um calçado para um lojista de Porto Alegre, mandar este sapato para o Espírito Santo e do Espírito Santo, retornar a Porto Alegre, para chegar mais barato do que se viesse diretamente de Igrejinha. É uma situação completamente anômala. E estas situações que queremos combater, para evitar que novas empresas fossem embora. Em 2014, quando a crise começou, nosso setor na cidade gerava em torno de 7 mil empregos. Hoje, são pouco mais de 3,5 mil. O impacto da recessão da economia foi muito grande. Se não fosse a situação favorável do câmbio, que segurou as exportações, seria muito pior. Com a retomada da economia, o humor de maneira geral melhora. Tivemos boas vendas no Natal e isso ajuda a indústria a se animar a investir. Era um peso morto que tínhamos de carregar e que poucos se dão conta do impacto que gera no emprego”.

“Agora, a competitividade passa a ser de produto”

Haroldo

Por Haroldo Ferreira 

Presidente-executivo da Abicalçados 

“Como temos representação nacional, auxiliamos todos os Estados nestes pleitos. Movimento similar a este que ocorreu em São Paulo (onde o ICMS foi, em novembro de 2019, de 7% para 3,5%) nós também apoiamos com dados, para que os sindicatos pudessem pleitear a mudança junto ao governo estadual. Nossa representação é nacional e, portanto, não entramos diretamente nesta briga fiscal. Os polos de São Paulo e RS eram os que estavam com suas cargas tributárias no modelo anterior. Os novos polos, Nordeste, Minas Gerais e Santa Catarina, já têm modelos mais atuais, com percentuais mais competitivos. Agora, o RS também conseguiu equalizar seu percentual, para diminuir a guerra fiscal que existe entre os polos. Com isso, todos ganham. A competitividade passa a ser de produto, de entrega, de atendimento, de serviço e não mais na questão tributária”.

“Estamos animados para voltar a crescer”

Analdo (2)

Por Analdo Moraes 

Diretor-presidente da Bebecê 

“Eu sou gaúcho, nasci aqui, nossos negócios estão até hoje aqui e a gente foi forçado a abrir uma distribuidora no Espírito Santo por incentivo de impostos. Já estou há dez anos neste projeto. Não queremos nenhum privilégio, queremos igualdade de impostos com outros Estados do Brasil. Com essa situação, agora, nossa empresa vai vir do Espírito Santo para cá já nos próximos dias e estamos animados, inclusive, a voltar a crescer no RS, gerar novos empregos… fazer aquilo que gostamos: desenvolver, crescer e ter liberdade pra isso. Estávamos, nos últimos anos, travados por conta de impostos, leis. Não conseguíamos saber o que aconteceria amanhã ou depois. O Rio Grande do Sul, agora, está de volta para o jogo e eu tenho certeza de que será um grande passo para o Estado. Foi uma atitude do governo que a gente tem de elogiar muito. Foi uma atitude inteligente. O Estado não vai perder com isso, muito pelo contrário, vai gerar emprego e renda. Será muito maior do que se deixaria de arrecadar. Hoje, a Bebecê produz 22 mil pares/dia e 90% deste volume vai para o Espírito Santo. Só ficava a produção destinada a atender ao mercado do RS. O RS ainda tem o cluster, o desenvolvimento e toda estrutura, mão de obra qualificada, tem uma cultura sapateira forte na região, e eu tenho certeza de que vamos crescer. Estamos muito animados”.

“Acredito na retomada”

Renato

Por Renato Klein 

Presidente do Sindicato da Indústrias de Calçados do Estado do RS (Sicergs) 

“Tudo começou na década de 1990, quando os Estados do Nordeste declararam guerra ao calçado do Sul, oferecendo ICMS zero e imposto de renda praticamente zero também. Aí começou um movimento de grandes empresas migrarem para Ceará, Bahia, por uma questão de competitividade. O calçado chinês já era uma realidade nesta época. Neste período, já buscávamos agenda com os governadores e nunca éramos ouvidos. O governador Eduardo Leite foi muito sensível quanto à nossa reivindicação. Por si só, o Estado também não podia fazer tudo. Outros polos conseguiram readequar o ICMS, como Santa Catarina, São Paulo, então alguma coisa precisava ser feita. Esta readequação chama a indústria de volta ou pelo menos evita que se perca mais indústrias para outros Estados. Acredito na retomada. Todo cluster está aqui e penso que, aos poucos, as empresas gaúchas devem voltar. Enquanto diretor industrial da Piccadilly (Igrejinha), estamos com nossa equipe revendo cálculos para avaliar as vantagens de termos a distribuição no Espírito Santo ou retornar ao RS. Não é minha área, mas acredito que teremos surpresas pela frente, também de outras empresas que estão lá”.

“Um novo caminho para os empresários”

Vicente

Por Paulo Vicente Bender 

Presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Dois Irmãos e da Bahia 

“O decreto traz um novo caminho para os empresários, no sentido de pensar em investimentos. Recebi a visita de empresários que estavam cogitando mudar suas unidades produtivas para a Bahia. Como os incentivos oferecidos para as empresas ainda está ampliado para até 2032, ainda é interessante. Seja pelo incentivo, como também pela facilidade da mão de obra. O projeto deles é agressivo. Estive, em final de outubro, com o superintendente da Secretaria de Desenvolvimento da Bahia, que esteve em visita no Sul, para buscar agora não só fábricas de calçados, como também de componentes. Eles querem criar o cluster que temos aqui. Eu acredito que, com a agilidade com que foi ajustado o modelo tributário do Estado do RS, a partir deste decreto, penso que este assédio deve parar. Agora, podemos pensar em voltar a investir. Nós da Carrano estamos repensando o tamanho de nossa fábrica em Dois Irmãos. Já tivemos quase 1,6 mil funcionários e hoje são 800. Na unidade em Santa Maria do Herval, em torno de 200. Nossa diretoria está repensando os investimentos no Estado da Bahia. O sapato mais caro do Brasil é o do RS e, com o decreto, isso pode mudar”.

“Trata-se de um pacto setorial cooperativo”

Eduardo (2)

Por Eduardo Leite 

Governador do Estado do RS 

“Estamos garantindo redução de impostos, o que vai ajudar a viabilizar melhores condições de competitividade. São benefícios fiscais concedidos já por outros Estados e nós não vamos ficar aqui assistindo a isso e atraindo negócios gaúchos para os quais somos vocacionados. Queremos que fiquem aqui e, mais do que isso, sejam estimulados a gerarem mais empregos, novos negócios, mais renda, e aquele que eventualmente já tenham saído do Estado, que sejam atraídos a retornarem. Estamos bastante confiantes de que, com os benefícios que estamos oferecendo, o RS terá condições de competir com outros Estados. Estamos dizendo “fiquem no RS, ampliem suas plantas aqui, porque estamos garantindo melhores condições de competitividade”. Trata-se de um pacto setorial cooperativo, uma inovação que estamos trazendo. Faremos o monitoramento e estamos confiantes de que vai reverter para toda cadeia produtiva. Vamos estimular a atividade econômica e temos um ambiente de expectativa de crescimento que vai compensar esta renúncia de receita. Haveria perda de receita se assistíssemos aos benefícios fiscais oferecidos por outros Estados e nada fizéssemos”.

“É um percentual que torna o Estado competitivo”

Jaeger

Por Eduardo Jaeger 

Secretário-adjunto da Receita Estadual

“Foram meses de conversas, de construção conjunta. O pacto setorial não é um documento jurídico, é um compromisso entre as partes. O decreto entra em vigor em 1º de abril. O percentual de 4% foi até onde o Estado pôde ir. É um percentual que torna o Estado competitivo e vai passar por um processo de reavaliação. A intenção é que isso produza efeitos tais como gerar empregos, aumentar as operações realizadas dentro do Estado. Há mais de 20 anos a indústria calçadista vinha sofrendo com a alta carga tributária. Novos Estados estão entrando no processo, desonerando esta indústria. Agora, vivemos uma guerra fiscal convalidada, dentro do espírito da Lei Complementar 160, em que os Estados vão ter de retirar os benefícios concedidos à iniciativa privada até 2032. Depois desta data, somente com aprovação do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). É uma indústria que emprega bastante, tem uma boa representatividade na economia gaúcha, então, esperamos que as empresas voltem a contratar, a movimentar a cadeia produtiva, fornecedores… que as importações sejam realizadas pelo Estado do RS, então, tudo isso vai gerar ganho. As pessoas questionam se há uma renúncia fiscal, mas, teoricamente, esta renúncia será compensada pelo aumento da atividade econômica. Espera-se que, de imediato, a médio prazo, haja retorno das operações hoje no Espírito Santo. O benefício que estamos concedendo é válido pelo período de um ano (31 de março de 2021), para uma reavaliação”.

Escola de Sapateiros forma nova turma de profissionais

A quinta-feira, 23 de janeiro, foi de comemoração de conquistas para 25 novos sapateiros e nove especialistas em modelagem e CAD. Com auditório lotado de familiares, os formandos celebraram a certificação, oferecida pelo Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas (SICTC) em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Calçados e Vestuário de Três Coroas (SindiSapateiros), Prefeitura Municipal de Três Coroas e Faccat – Faculdades Integradas de Taquara.
Esta foi a 21ª turma de sapateiros graduada pela iniciativa e a primeira turma a conquistar o certificado do módulo 2 e CAD. Em 2019, a Escola de Sapateiros completou dez anos colecionando histórias de superação, proporcionando novas oportunidades e mantendo a vocação sapateira da região. Com estas turmas, já são 791 alunos qualificados desde o início do projeto, que também conta com dezenas de parceiros do mercado.
PRÓXIMAS TURMAS
Já estão abertas as inscrições para o próximo Curso de Sapateiros, cujo início das aulas está marcado para 2 de março e também para o Curso de Modelagem – Módulo I, que tem início marcado para 16 de março. Interessados podem entrar em contato com o SICTC, pelo (51) 3546-1346 ou pelo e-mail lucas@sindicatotrescoroas.com.br.

 

Performance do Estande Três Coroas Shoes na Couromoda tem crescimento de 148,44%

Com um expositor a mais do que em 2019, o Estande Três Coroas Shoes na Couromoda foi sucesso total nesta edição de 2020. Durante os três dias da mostra, que ocorreu de 13 a 15 de janeiro, o Expo Center Norte, foram comercializados 102.786 pares para o mercado interno e 9.856 para clientes estrangeiros, acréscimo de 166,3% e 44,94%, respectivamente, no comparativo com o ano anterior. No total de pares, de 45.398 em 2019, o grupo pulou para 112.642, um crescimento de 148,44%.

“Ficamos muito contentes, porque esta foi a edição com o maior número de empresas desde o início do projeto e porque o volume de negócios foi muito superior. Foram três dias bastante produtivos e percebemos que com um dia a menos o foco é nos negócios e a feira se torna mais efetiva”, avalia o executivo-comercial do Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas (SICTC), Juliano Mapelli.

Participaram do evento as marcas Aline Melo, Ana Flex, Andine, Eléia, Infinitu´s, Stéphanie Classic, Valentina e Variettá.

Outro dado positivo contabilizado pela gestão do SICTC foi o da abertura de novos clientes. Foram 66, um incremento de 57,14% se comparados os contatos de 2019, quando ocorreram 42.

Para a Variettá, esta edição da Couromoda foi 30% melhor do que o ano anterior. Houve abertura de novos clientes, principalmente no exterior. Só da Bolívia, foram sete. O Equador também foi outro país com grande fluxo de compradores. “Fechamos negócio até com um lojista da Guiana Francesa”, conta a estilista da marca, Gracieli Carvalho. A fabricante produz 600 pares/dia e tem como diferenciais um DNA bastante marcante, com plataformas, saltos, cores vibrantes, além de numeração especial.

O próximo compromisso do Estande Três Coroas Shoes é na 40 Graus, que ocorre de 3 a 5 de fevereiro, no Centro de Convenções de João Pessoa, na Paraíba.

Fotos: Divulgação