Ano começa com otimismo moderado e projeção de crescimento de até 2,5%

“Otimismo moderado” para 2020. Assim definiu a expectativa do mercado em relação a este ano que se inicia o presidente do Conselho Deliberativo Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Caetano Bianco Neto, em coletiva realizada durante a Couromoda, mostra calçadista que ocorreu de 13 a 15 de janeiro, no Expo Center Norte, na capital paulista.
Ele menciona que, em 2019, havia expectativas muito positivas, mas o atraso de reformas estruturais importantes, caso da Previdência, acabou frustrando um pouco. “O fato é que, para não ter de rever a estimativa de crescimento, ainda mais para baixo, estamos sendo um pouco mais conservadores nas projeções”, disse Neto, que ainda brincou: “Melhor estourar a meta do que dizer que não a alcançamos”. No início de 2019, a meta de crescimento do setor chegava a 3,4%, número que foi revisto para entre 1,1% e 1,8% no último trimestre do ano. “Não foi um ano ruim, mas poderia ter sido melhor. O certo é que parou de piorar”, afirmou, ressaltando que a confiança, tanto do mercado quanto do consumidor, segue em elevação com o novo momento econômico brasileiro.
Já para o presidente-executivo da entidade máxima do calçado brasileiro, Haroldo Ferreira, o comportamento das exportações foi determinante para que 2019 se mantivesse em crescimento. “O mercado externo puxou as exportações, especialmente em função do aumento dos embarques para os Estados Unidos, resultado direto da guerra comercial instalada entre o país norte-americano e a China”, avaliou, ressaltando que no período, em função das sobretaxas às importações da China, os compradores estadunidenses buscaram calçados em países alternativos ao gigante asiático, favorecendo o Brasil, maior produtor de calçados do Ocidente.

BALANÇO DE 2019
Em 2019, os embarques cresceram 0,9% em volume e registraram queda de 0,9% em receita no comparativo com 2018. “Porém, em função do dólar valorizado ao longo do ano, tivemos um incremento de 7% em reais, um resultado positivo importante”, acrescentou. Entre janeiro e dezembro do ano passado, foram embarcados ao exterior 114 milhões de pares por US$ 967 milhões.

PROJEÇÕES PARA 2020
Para 2020, o setor espera crescer entre 2% e 2,5%. Porém, diferentemente do ano passado, esse número deve ser puxado pelo desempenho no mercado interno, que absorve mais de 85% da produção de calçados (de mais de 950 milhões de pares por ano). Já no mercado externo, a percepção é de que Estados e China estão “se acertando” e que o setor de calçados deve retornar aos patamares anteriores de embarques para o país norte-americano, historicamente o principal destino do calçado brasileiro além-fronteiras.
Outro fator que deve seguir prejudicando o desempenho no mercado internacional é a crise da Argentina e o retorno da onda protecionista que toma força naquele país. No último dia 10 de janeiro, entrou em vigor um decreto do governo argentino que alterou o prazo das licenças não automáticas para importação de uma série de produtos brasileiros, entre eles calçados. A partir da data, são 90 dias, não mais 180 dias, o prazo de autorização para a entrada do produto em território argentino, isso após o preenchimento do chamado SIMI, um sistema de monitoramento de importações exigido pelo governo local. “É mais um complicador para as exportações de calçados, mas não chega a ser surpresa, pois quando assumiu o novo governo, de viés mais protecionista, sabíamos que poderiam voltar essas dificuldades”, disse Ferreira. Atualmente, a Argentina é o segundo destino do calçado brasileiro no exterior e, portanto, tem um impacto significativo na balança comercial do setor.

READEQUAÇÕES DO ICMS MENCIONADAS
A melhor projeção, para os calçadistas, está no mercado doméstico, que parece começar a reagir, depois de anos de demanda reprimida. “Acreditamos que o incremento das vendas no mercado doméstico deva impulsionar o resultado de 2020”, frisou o executivo, que também saudou medidas como a redução do ICMS para calçados nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, alguns dos maiores produtores do segmento no Brasil. “O fato também terá impacto importante na competitividade do calçado desses dois estados”, comemorou Ferreira.

A COUROMODA
O Estande Três Coroas Shoes na Couromoda teve a participação de oito fabricantes: Aline Melo, Ana Flex, Andine, Eléia, Infinitu´s, Stéphanie Classic, Valentina e Variettá. O resultado dos negócios gerados a partir do evento deve ser consolidado nos próximos dias.

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