Polo calçadista de Três Coroas na luta pela sobrevivência

Presidente do SICTC, Joel Brando Klippel, diz que maior dificuldade é o crédito inacessível para as empresas 

A pandemia causada pela Covid-19 colocou o mundo em quarentena e paralisou também a indústria calçadista. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estima a perda de 26,5 mil postos em todo o Brasil, entre os dias 23 de março e 28 de abril. Somente no Rio Grande do Sul são, oficialmente, 7,6 mil desligamentos. Porém, de acordo com relatório elaborado por sindicatos e entidades ligadas ao setor e entregue ao Comitê de Crise do governador gaúcho Eduardo Leite nesta quarta-feira, 29 de abril, este número pode chegar a 20 mil. Trata-se de quase 25% do total do contingente de trabalhadores empregados por esta indústria antes da paralisação quando, conforme o Ministério do Trabalho, 87 mil pessoas tiravam seu sustento desta atividade. A estimativa leva em consideração a suspensão do funcionamento do comércio. Nesta quinta-feira, Leite anunciou um plano gradual de liberação das atividades produtivas, que passará a vigorar em 6 de maio. Nele consta a informação de que os prefeitos da região metropolitana de Porto Alegre receberão autorização para decidirem sobre a autorização da reabertura do comércio nas suas cidades.

“ESTAMOS TENTANDO SOBREVIVER”

No polo de Três Coroas, conforme estimativas do Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas (SICTC), desde o início da pandemia até o presente momento, foram desligadas em torno de 1,5 mil pessoas das empresas e ateliês locais. “Estamos tentando sobreviver e recorrendo a todos artifícios possíveis. Há empresas trabalhando com 20% de sua capacidade, outras optaram por paralisar as atividades enquanto suportarem”, relata o presidente do SICTC, Joel Brando Klippel. Ele enfatiza que, semanalmente, reúne-se com empresários do polo para buscar maneiras de contornar a situação e, principalmente, evitar novos desligamentos.

SOCORRO FINANCEIRO

Na sua avaliação, a situação das companhias poderia ser amenizada se houvesse socorro financeiro. “Mais importante que voltarem os pedidos, precisamos de crédito acessível. As empresas se adequaram para trabalhar com 20% da produção, mas o problema é pagar fornecedores. Para que isso não vire uma bola de neve, os juros das instituições financeiras habilitadas pelo BNDES precisam ser mais acessíveis”, reivindica Klippel, que tem participado de reuniões com entidades para pressionar lideranças políticas a fim de viabilizar este socorro.

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